Sábado, 25 de Janeiro de 2020
Policia

Lavador de carros que apareceu no próprio velório continua morto para a Justiça

Sete anos depois que o CORREIO contou essa história, certidão de óbito de Gilberto Araújo Santos ainda não foi anulada

Publicada em 08/12/19 às 20:43h - 118 visualizações

por A VOZ DA REGIÃO


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 (Foto: A VOZ DA REGIÃO)


O lavador de carros Gilberto Araújo Santos, 49 anos, está morto há sete anos. Conversamos com ele na última quarta-feira, em Alagoinhas, a 120 km de Salvador. Ao mesmo tempo que tomava conta como vigia de uma feira livre, passava a bucha em um Golf branco. A conversa durou quase 40 minutos, e perguntamos sobre como tem passado, onde anda sua família e quais os seus planos para o futuro. Mas o fato é que Gilberto está morto há sete anos.

Ao menos para a Justiça, Gilberto deixou de ser um cidadão vivo depois que seu atestado de óbito foi emitido pelo cartório da cidade no dia 22 de outubro de 2012. Nos dias seguintes, ficaria conhecido mundialmente após o CORREIO publicar a história do homem que teve o “privilégio” de estar presente no seu próprio velório. Apareceu de repente no local em que sua família lhe dava o último adeus. Enchiam a sala da casa de sua mãe, na zona rural. Estavam velando a pessoa errada. “Foi o dia mais feliz da minha vida”, disse Gilberto, sete anos atrás. “Tive certeza que sou querido”.    

É que no dia anterior à emissão do atestado, outro lavador de carros muito parecido com ele foi morto a tiros. E o mais impressionante. O crime aconteceu a uns 300 metros de onde Gilberto estava. “Fiquei sabendo dos tiros e fui ver. Vi ele no chão ainda vivo e fui embora”, narrou Gilberto, à época. Ainda mostramos a luta para que, enquanto curtia a fama, Gilberto tivesse de volta o direito de estar vivo oficialmente.



Acontece que ele não conseguiu até hoje a anulação do atestado de óbito e os seus documentos de volta. Gilberto conta que não pode sair da cidade porque não consegue comprar uma passagem de ônibus. Também não tem carteira do SUS para ser atendido em uma unidade de saúde pública. Gilberto não vota nas eleições, não pode se matricular em uma escola ou um curso profissionalizante. “Para o mundo eu continuo morto”. 

Gilberto mostra ao CORREIO sua certidão de óbito em 2012 (Foto: Tayse Argolo/ Arquivo CORREIO)

A sua certidão de nascimento não serve para nada, já que o cartório tem ele como morto. “Na verdade, queimei o atestado de óbito”, revela ele, que admite não ter corrido atrás para resolver a situação. “Tem isso também”.   

  

















































































































































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